Neste mês do orgulho LGBT que findou, eu me deparei com este texto da Annie. Achei apropriado. Segue a tradução:
Não pechinche amor.
Não negocie.
Quando o amor é reduzido como punição, como manipulação, como meio de te direcionar: faça o pior e mais difícil e pare de pedir amor. Largue a sua mão, coloque-a no bolso. Feche a boca, deixe o silêncio prevalecer, não peça explicações.
Já está explicado.
O amor não é contrato. O amor não tem cláusulas a cumprir antes de obtê-lo.
O amor existe e aparece em todas as situações em que está presente.
Se não é aparente - se não há como sentí-lo, escutá-lo, e vê-lo em ação - não está presente.
Parece rigorosa, mas é a única regra do amor.
O amor não confunde. O amor é claro. O amor é simples. O amor é óbvio. Grande como o céu, resistente como uma montanha. Corajoso e honesto, tenro e implacável.
Você não tem que procurar nos cantinhos se perguntando: “está aqui? Está aqui?”
Você não tem que cavar procurando amor até os dedos sangrarem. Não tem uma borda dura protegendo o centro fofinho cheio de amor.
O amor não se esconde. O amor aparece e fica. O amor é presente.
Quando você é amado, você sabe. Você sente. O amor abre seu coração. Ele abençoa dando espaço e com proximidade, com liberdade e com segurança, em iguais medidas. Você não tem que escolher um e abandonar o outro. O amor não dá metades. O amor é inteiro.
Não pechinche amor.
Coisas que não são amor:
O amor pode se expressar dessas maneiras. O amor pode oferecer afeto, atenção, tudo isso acima. Maravilhoso.
O amor pode trazer tudo isso, mas não tem o monopólio.
O amor não é uma transação. O amor não é moedas no bolso, gaste uma aqui, outra ali, guarde para quando precisar.
O amor não se esgota. O amor se cria, se preenche, não tem fim.
O amor é generosidade ativa. O amor é a gentileza esplêndida e exorbitante. O amor não pode ser medido ou dosado em pequenas quantidades, ou cortado em pedacinhos menores.
Quando alguém tenta te amar dessa maneira, eis a explicação (respire fundo):
O que esse alguém oferece não é amor.
Esse alguém oferece algo, com certeza. Mas não é amor.
Se amor é o que você quer, não pechinche por aquilo que não é amor.
Algumas pessoas querem amar, mas não sabem como. Ou querem obter amor, mas não sabem dar.
Não dá para ensiná-las ao aceitar não-amor e fingir que é amor.
Dá para mostrá-las ao saber o que é amor e sendo-o, da melhor maneira possível: sendo claro, sendo simples, sendo óbvio.
Não aceitando meias-verdades ou escondendo. Não igualando afeto com amor, desculpas com amor, atenção com amor. Não se envolvendo com transações. Não sendo empurrado para o canto. Não se rebaixando. Não concordando quando você não concorda. Não tolerando o que você não tolera.
Claro, simples, óbvio. Grande e resistente. Corajoso e honesto, tenro e implacável.
Mesmo ao dizer adeus.
Atenção pode vir dos ciúmes.
Afeto pode vir de solidão.
Elogios podem vir de uma necessidade de agradar.
Presentes podem vir de culpa.
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