Norte ≠ cima

Bastante gente (eu inclusive) está falando dessa foto da missão Artemis II:

Foto da terra vista do lado noturno
Hello, World. Créditos: NASA/Reid Wiseman

Essa foto, muito bonita, mostra luzes noturnas (na África, Europa e América), nuvens, auroras (tanto austral quanto boreal), estrelas, parte da janela, e (acabei de aprender sobre) a luz zodiacal. Fico imaginando: será que o título “olá mundo” é uma referência ao processo de aprendizagem de programação?

Achei doido que teve gente que disse que a foto estava “de cabeça para baixo”. No meu entendimento de baixo e alto, baixo significa mais próximo da terra ou (em uma superfície plana de papel ou tela) relativo aos meus olhos. Sim, a foto tem uma orientação, mas o objeto representado é a própria terra. Na experiência que eu tenho, baixo é em direção a ela e alto é para longe dela.

É o mesmo motivo que dá nome a cidades (Alto Araguaia, Alto Paraguai) e regiões (Alto Paranaíba, Baixo Paranaíba), relativos à altitude seguindo a direção do respectivo rio.

Imagino que a confusão seja porque todo mundo usa mapas planos com o norte em cima. Eu estava bastante acostumado com isso até que uma vez eu não travei o norte em cima no OsmAnd. Fiquei meio perdido no começo, mas agora eu acho alguns pontos de referência, e daí amplio rapidinho onde eu quero ver. Assim como vários outros aplicativos de mapa, esse também gira de modo que a direção do movimento esteja acima, então eu não preciso pensar muito quando dirijo. Ainda bem que a instrução é “vire à direita” e não “vire a sudeste”.

Talvez essa história toda de eu ficar pensando em sistemas de coordenadas se deve a meu passado em robótica. Tem tantos sistemas de coordenadas para as articulações que temos que pensar com cuidado se as coordenadas estão no sistema que a gente acha que está. Os números dados (como sempre) precisam de um contexto para entendê-los.

Enquanto isso, os astronautas vão ver o lado oculto da lua. Oculto para nós, na terra, será o lado visível para eles.